A “GUERRA FRIA” DA CHINA E ÍNDIA
Publicação original no site do CEIRI dia 21 de dezembro.
No início do século XXI, a Índia e a China entraram em uma fase de melhoras em suas relações, tanto econômicas, quanto diplomáticas. Porém, estão entrando em ma nova fase: uma “guerra fria” em termos econômicos no continente africano, desenhando uma configuração geopolítica na região.
A economia foi o principal fator impulsionador da melhora das relações entre os dois gigantes emergentes ao longo dos últimos nove anos, registrando que, no ano 2000, as relações comerciais entre ambos os países apresentaram a marca de US$ 3 bilhões e, no final do ano passado (2008), a marca chegou a US$ 51 bilhões.
Os contatos entre Índia e China não se limitaram apenas ao crescimento das relações comerciais, mas também no campo diplomático e militar. Em dezembro de 2007, na cidade de Kunming, no Sul da China, militares dos dois países participaram de uma série de exercícios militares, contando com a presença de mais de 100 profissionais de cada lado.
Em dezembro de 2008, foi realizada a segunda parte dos exercícios militares conjuntos, desta vez realizada em território indiano, na cidade de Belgaum. No ano passado (2008), o tema para a realização desses exercícios foi o combate ao terrorismo e a luta contra a insurgência.
Foram os primeiros exercícios militares conjuntos realizados na história dos dois países. Antes, esse tipo de preparação era impossível de ser realizada, pois, desde a guerra travada entre Índia e China, em 1962, a cooperação militar e outros assuntos militares eram descartados.
Apesar desse curto renascimento de aproximações apresentado nesses últimos anos, o clima voltou a mudar em 2009 após a tentativa chinesa em expandir sua influência econômica e militar na África.
Em análise de conjuntura publicada no site do CEIRI, no dia 9 de novembro, titulada “BRIC EM DISPUTA PELA ÁFRICA”, foi apresentada a atuação dos membros do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) no continente africano e, entre as quatro nações, Índia e China ,hoje, são as que tem maior destaque na região.
O continente africano se tornou um campo básico de disputa econômica entre os dois países. A China começou a se aproximar de forma mais aprofundada no continente há uma década, apostando nos investimentos baseados em empréstimos com condições excepcionalmente favoráveis para o desenvolvimento de fortes relações comerciais.
Esse país aposta no desenvolvimento dos países africanos, assim como foi apresentado em análise de conjuntura publicada no site do CEIRI no dia 2 de dezembro titulada “NEOCOLONIALISMO: O FUTURO DAS RELAÇÕES SINO-AFRICANAS” e a tendência das relações sino-africanas é de expansão para os próximos anos.
A Índia, por sua vez, não demorou a entrar no jogo da influência econômica neste continente. Os indianos entraram com o desejo de competir e limitar a liberdade de movimentos dos chineses naquela região. A Índia, hoje, é o que possui o maior número de projetos em termos de Investimento Estrangeiro Direto (IED) na África, com 130 projetos seus, contra 86 da China.
Embora haja um número de projetos maior do que da sua concorrente, os investimentos indianos na África chegam apenas a US$ 25 bilhões, contra os US$ 55 bilhões investidos pela China. No entanto, a Índia se move com rapidez para alcançar os chineses nos investimentos, mas ainda não está sendo o suficiente para competir com igualdade.
Na cúpula entre Índia e os líderes dos países africanos, o país prometeu, em 2008, créditos em forma de “ajuda econômica”, aproximando-se dos US$ 6 bilhões, porém esta promessa não foi cumprida até o momento.
A China foi além. Em resposta a promessa indiana, liberou US$ 10 bilhões para África, no final do mês de novembro de 2009. Quase o dobro da promessa indiana. Além disso, está em vias de perdoar as dívidas que os países mais pobres do continente têm consigo, de acordo com a afirmação o presidente chinês, Wen Jiaobao, feita durante o “Fórum de Cooperação China-África”, realizado no dia 8 de novembro de 2009.
Durante o Fórum uma série de acordos foram firmados entre chineses e países africanos para a exploração dos recursos naturais, garantindo-lhes, a realização de obras de infra-estrutura.
Nesta “Guerra Fria” entre China e Índia no continente africano os indianos estão crescendo, mas os chineses estão em grande vantagem, pois a sua aposta sobre o continente está sendo vantajosa para o “Dragão Asiático”, já que este não para de crescer e já está construindo campos de ação para o futuro breve.
Setor bancário ‘pesa’ e bolsas da Ásia fecham em baixa
21 – Dezembro G1 Economia:
“A bolsa de Hong Kong cedeu 1,08%, a 20.948 pontos.
Na contramão, Xangai e Tóquio tiveram alta.”
A maior parte das principais bolsas asiáticas teve uma segunda-feira (21) de queda, com os bancos pesando e ações do setor de tecnologia em alta.
A bolsa de Hong Kong cedeu 1,08%, a 20.948 pontos. Enquanto isso, Xangai operou em baixa, pressionada por preocupações de que a China possa tomar medidas para desacelerar o mercado imobiliário, antes de encerrar em alta leve de 0,29%.
Apesar de bancos terem aliviado preocupações de que possa haver necessidade de provisões contra a exposição à dívida de Dubai, ações do HSBC recuaram 1,09%. Na Coreia do Sul, a bolsa de Seul perdeu 0,17%, com bancos como o KB Financial Group pesando contra exportadores do ramo tecnológico como a LG Electronics.
O índice MSCI. que reúne mercados da região Ásia-Pacífico exceto Japão, recuava 0,71%, a 394 pontos, às 7h56 (horário de Brasília). A bolsa de Tóquio subiu 0,41%, para 10.183 pontos, com a ação de empresas de tecnologia como a Advantest Corp contribuindo para os ganhos.
“Os investidores receberam bem os resultados da Oracle e da RIM no fim de semana, bem como o iene mais fraco”, disse Norihiro Fujito, gerente geral de pesquisa de investimento na Mitsubishi UFJ Securities, em Tóquio. A bolsa de Sydney caiu 0,33%, a 4.635 pontos. Cingapura teve baixa de 0,56% e Taiwan avançou 0,43%.
Redução de impostos para produtos exportados à China
Para o ano de 2010, a China irá reduzir temporariamente as tarifas sobre as importações de mais de 600 produtos considerados necessários para o país. Segundo o Ministério da Fazenda brasileiro, os produtos serão basicamente matérias-primas, como por exemplo, o petróleo, fosfatos e carvão.
O país espera reduzir as tarifas das importações para impulsionar o desenvolvimento agrícola com produtos que ajudem na modernização industrial, a conservação de energia e a proteção do meio ambiente.
Alguns produtos agrícolas, como o morango, já terão tarifas reduzidas a partir do dia 1º de janeiro de 2010. Os países exportadores de commodities, que tem a China como um potencial parceiro comercial, aguardam a lista oficial, na qual serão divulgados todos itens que terão tarifas reduzidas.
O ministério da Fazenda da China, até o momento, não declarou a data exata da divulgação desta listagem oficial, nem quais as porcentagens a serem reduzidas.
* Publicação original no site do CEIRI, veja clicando aqui.
“Yin” e “Yang”: as relações sino-brasileiras
As relações sino-brasileiras vêm crescendo de forma mais acelerada desde o início da crise econômica global. Para os chineses, a aproximação com o Brasil não deve mais estar focada apenas nas relações comerciais.
A “parceria estratégica” sino-brasileira, estabelecida no ano de 2004, se estende às mais diversas áreas, desde a exploração espacial à indústria farmacêutica. Buscando maior integração entre ambos, o governo chinês aposta na integração cultural.
Tentando aproximar mais os dois países através da cultura, a China está investindo na área de educação, levando mais informações sobre o Brasil para sua população e investindo ainda mais no estudo dos países lusófonos e do idioma português.
O governo está investindo nos meios de comunicação em português para promover maior interatividade entre as duas culturas e está aumentando as transmissões da estatal “Radio Internacional da China” (CRI). Além disso, também está fazendo investimentos no “Instituto Confúcio” (instituto que promove o ensino da língua chinesa) e no centro da “Academia Chinesa de Ciências Sociais”, onde foi criado o “Centro de Estudos Brasileiros”, inaugurado em maio deste ano (2009), durante a visita do presidente brasileiro ao país, Luiz Inácio Lula da Silva.
Para os chineses, atualmente, o Brasil tem maior destaque entre os países lusófonos, como declarou um jornalista da CRI que “Portugal já não lidera os países de língua portuguesa. Quem lidera, hoje, é o Brasil” e afirmaram os estudantes de Beiwai (Universidade de Línguas Estrangeiras de Pequim) que “chegou à hora do Brasil”.
Nas palavras do Ministro da Defesa brasileira, Nelson Jobim, que esteve em visita à China no mês de outubro: “A China deseja ter um papel importante no mundo, mas não quer ficar colada a uma relação bipolar com os Estados Unidos”, por isso existe “um desejo de aproximação ao Brasil muito forte”.
Os líderes chineses costumam dizer que “a China é o maior país em vias de desenvolvimento do hemisfério Norte e o Brasil é o maior país em vias de desenvolvimento do hemisfério Sul”. Para eles, as relações sino-brasileiras estão encaixadas de forma perfeita no cálculo chinês de equilíbrio: o “Yin” e “Yang”.
Índia ditará ritmo do mercado internacional de commodities
Depois de a China ditar o ritmo no mercado de commodities, principalmente em razão do seu apetite por soja ao longo da última temporada, agora, na safra 2009/2010, será a vez da Índia apontar os rumos do comércio agrícola mundial. Além da explosão dos preços do açúcar, que já subiram 92% este ano, a Índia deve alavancar a demanda por óleo de soja e arroz.
As importações de óleo por parte da Índia, o maior comprador do produto no mercado internacional depois da China, deverão permanecer próximas de sua maior alta dos últimos 15 anos. De acordo com a Associação dos Extratores de Solventes, a elevação é efeito da concorrência com produtos estrangeiros mais baratos, o que torna pouco lucrativo o processamento da soja e do amendoim locais. As processadoras de soja estão operando suas unidades de produção a cerca de 50% de sua capacidade. “As compras de óleos de cozinha por parte da Índia, entre os quais o de palma, deverão ultrapassar 2 milhões de toneladas no período de três meses a encerrar-se em 31 de janeiro, comparativamente aos 2,1 milhões de toneladas do trimestre anterior”, diz B.V. Mehta, diretor-executivo da associação.
As importações de óleos vegetais dispararam para seu maior volume desde 2004, quando o governo indiano pôs fim às tarifas incidentes sobre os óleos de palma e de soja, deprimindo os preços internos e forçando as usinas a desacelerar o processamento das lavouras semeadas durante as chuvas de monção. O aumento das vendas ajudou a alimentar a alta de 37% registrada pelo preço do óleo de palma este ano. “As pessoas não estão operando plenamente suas unidades de produção porque não há lucratividade operacional”, disse Rajesh Agrawal, porta-voz da Associação dos Processadores de Soja da Índia. “Ou os preços das sementes têm de baixar ou os preços do óleo e do farelo precisam subir para tornar o processamento lucrativo”, avaliou. O preço do óleo de palma saltou para sua maior alta de 11 semanas, puxado pela previsão de um aumento das compras por parte da Índia. Os contratos futuros para entrega em janeiro subiram até 3,1%, para US$ 695 a tonelada, seu patamar mais alto desde 28 de agosto.
Balizadora das cotações de açúcar durante todo o ano de 2009 a nova atitude da Índia já começa a influenciar o mercado da commodity novamente, desta vez puxando os preços para baixo. De acordo com avaliação da Archer Consulting, com o mercado de açúcar na Bolsa de Nova York tendo fechado a semana com alta inferior US$ 10 por tonelada, é possível observar, mais claramente, que a diferença de preços entre o março de 2010 e o março de 2011 se manteve em torno de 330 pontos, ou seja, os preços apontam para uma baixa de US$ 73 por tonelada para a safra 2011/2012 em comparação com a 2010/2011. No período seguinte, a diferença entre o março de 2011 e o março 2012 é de nova baixa de US$ 62 por tonelada. “Em resumo, a percepção do mercado, levando em conta os fatores de recuperação da Índia já para a 2010/2011 – que para eles inicia-se em outubro do ano que vem – é de queda nos preços em US$ 135 por tonelada em dois anos. Ainda assim, com retorno de 27% sobre o custo de produção previsto”, analisa Arnaldo Luiz Corrêa, gestor de riscos da Archer.
Segundo Corrêa, se por um lado as perspectivas de importação continuam variando entre sete e nove milhões de toneladas, volume considerado elevado, por outro, os indianos têm mais tempo para comprar e assim deixam o mercado spot (a vista) mais ou menos largado. “Agora, é esperar para ver, já que na última sexta-feira, a Organização Internacional do Açúcar afirmou que o déficit mundial é de 7,2 milhões de toneladas comparado com os 8,4 milhões anteriormente divulgados. Daqui para frente, muita coisa pode mudar no cenário de altas do açúcar que tivemos até aqui”, finaliza o gestor da Archer.
Até mesmo o mercado de arroz deve sofrer forte influência da Índia. O País cuja previsão inicial era de exportações da ordem de 4 milhões de toneladas deverá entrar agora no mercado internacional buscando adquirir cerca de 3 milhões de toneladas. A reversão no equilíbrio entre a oferta e demanda de arroz na Índia é atribuída à uma forte estiagem que atingiu o país este ano.
NEOCOLONIALISMO: O FUTURO DAS RELAÇÕES SINO-AFRICANAS
Por: Fabricio Bomjardim
Análizde de Conjuntura publicada em 02 de Dezembro de 2009 12:00.
A China é um dos países integrantes do grupo denominado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), cujas relações comerciais e políticas com os países africanos seguem em crescimento.
Nos contatos entre esses países, as relações de investimentos da China com a áfrica são as que mais ganham à atenção no cenário internacional, devido aos interesses chineses no continente africano.
Para vários analistas, eles estão interessados apenas nas riquezas e matérias-primas da região. Por isso, questionam às relações de Beijing com o continente africano, focando especialmente os problemas dos Direitos Humanos.
Em análise de conjuntura publicado no site do CEIRI no dia 9 de novembro, intitulado “BRIC EM DISPUTA PELA ÁFRICA”, consta a resposta do Primeiro ministro chinês, Wen Jiabao, discorrendo sobre os interesses de seu governo na África: “O povo chinês oferece amizade verdadeira ao povo africano e o apoio da China ao desenvolvimento da África é concreto e real“. Essa frase foi uma resposta às críticas promovidas antes da realização do “Fórum de Cooperação China-África”, realizado no dia anterior, 8 de novembro.
Para a investigadora zimbabuana do “Centro Alternativo de Informação e Desenvolvimento” (AIDC, sigla em inglês), Dot Keet, é necessária “maior transparência” nos acordos firmados entre as nações africanas e a China. Ela fez sua defesa durante a “Conferência Regional Sobre o Investimento Chinês na África”, realizada no dia 30 de novembro, nesta segunda-feira.
“Deve haver mais transparência nos acordos bilaterais entre os governos africanos e a China”, até porque a “maior parte dos governos africanos não são transparentes”, por isso, os documentos “têm que ser postos à disposição do público”, pronuciou Dot Keet, durante a apresentação do tema “Perspectivas para o compromisso africano com a China”.
O debate sobre os investimentos chineses na África é um dos assuntos que fazem parte do dia-a-da das Organizações Não Governamentais (ONGs) africanas, que temem um “neocolonialismo” por parte dos países em desenvolvimento, os quais estão promovendo projetos com investidores chineses.
A política externa de Beijing para a África é uma política de aposta no desenvolvimento desses países, sem apresentar quaisquer tipos de imposições, política que é vista pelas nações ocidentais como uma forma velada de neocolonialismo.
Dot Keet diz que os africanos devem, coletivamente, “desafiar a China a indicar as suas intenções amigáveis. A África deve impor requisitos fortes e claros (nos negócios). Se a China aceitar isto ela é nossa parceira”, mas se agir de forma contrária, “estará a agir como um neocolonialista”.
Keet se posicionou de forma a alertar as nações africanas, não apenas pelas políticas do governo e de investidores da China, mas também pela propaganda das nações ocidentais concorrentes do gigante asiático, quando dizem que a China tem intenções “maléficas”.
“É melhor ter um olhar cauteloso em relação às críticas ocidentais. A Índia tem maior investimento do que a China (nos países pobres), mas não atrai tantas críticas como a China”, exemplificou.
“É essencial que os africanos evitem ser influenciados por comentários críticos provenientes de países e governos ocidentais, que (também) fomentam práticas neocolonialistas. Isto reflete algum modo de ser destes países e governos”, por isso, “temos (os africanos) que estar cautelosos com os nossos parceiros ocidentais”, insistiu Dot Keet.
Para ela, as nações africanas devem realizar mais acordos em bloco e não se focar apenas em acordos bilaterais. A África deve “adotar medidas protetoras em relação à China e às companhias estrangeiras”, ocidentais.
A política externa chinesa para o continente, chamada de “aposta no desenvolvimento”, em um pensamento de longo prazo, pode gerar benefícios mútuos. O modelo é o que ocorre nas relações com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que tem um país (Macau) como um intermediador das suas relações com esses países e outro país (Angola) como um pólo de intensas relações comerciais.
Não há duração suficiente para se concluir acerca de um neocolonialismo da China no continente, no entanto, os chineses estabelecem relações de grande amplitude temática, desde socioculturais até comerciais, as quais são um poderoso diferencial para facilitar nos acordos, sejam bilaterais, sejam em bloco.
Aparentemente, o governo chinês tenta fortalecer ao máximo suas relações sem criar uma imagem negativa, algo que, até o momento, está produzindo resultados positivos.
Apenas com o tempo, quando houver algum desenvolvimento nos países africanos e também alguma consolidação das relações entre o continente e Beijing, será possível compor um cenário com elementos as partir dos quais possa ser observado se ocorrerá efetivamente um neocolonialismo chinês na África.
As relações sino-africanas continuarão sendo motivo de novas críticas das nações ocidentais e dos países “adversários” da China no cenário internacional, mas o foco apenas neste país fará com que se esqueçam os demais integrantes do BRIC, que estão ganhando cada vez mais força nesta região do globo e agindo de forma semelhante.
Brasil, China e Índia negociam meta conjunta para Copenhague
PEQUIM - Estadão 28 de novembro.
Representantes do Brasil, China, Índia e África do Sul se reuniram nos dois últimos dias em Pequim para definir uma posição conjunta a ser levada à Conferência do Clima de Copenhague, na qual reafirmaram a exigência de redução de 40% das emissões de gases-estufa dos países ricos até 2020 em relação ao patamar de 1990. “Com uma posição unificada, nós poderemos fazer o que os Estados Unidos fizeram em negociações internacionais recentes, que é o ‘name and shame’ , que significa identificar o culpado pelo eventual fracasso das negociações e atribuir responsabilidades”, disse hoje em Pequim o representante do Brasil no encontro, embaixador Marcelo Biato, da assessoria internacional da Presidência da República.
O encontro foi convocado às pressas pelo governo chinês na terça-feira. Além do objetivo de coordenar posições, ele reflete a preocupação de Pequim em não ser transformado em “bode expiatório” de um eventual fiasco em Copenhague, avaliou Biato. A reunião teve a participação dos ministros do Meio Ambiente de China, Índia e África do Sul. O Brasil deveria ter sido representado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas ela não pôde comparecer por problemas de agenda.
Todos se encontraram na sexta-feira com o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, que defendeu a necessidade de os países em desenvolvimento chegarem a Copenhague com uma posição única, para não ficarem à mercê das posições dos países ricos. Brasil e China já apresentaram propostas de reduzir ou controlar o aumento de suas emissões. A Índia revelou no encontro de Pequim que também apresentará um plano em Copenhague, o que deve aumentar o poder de pressão dos emergentes sobre os ricos. “Nós temos a percepção de que os países desenvolvidos estão se armando e precisamos ter a nossa posição, para não ficar a reboque deles”, ressaltou Biato. Segundo ele, o objetivo é chegar à conferência com documentos que prevejam medidas concretas do grupo e exijam a contrapartida dos países ricos.
A reunião de Pequim reafirmou ainda o princípio do protocolo de Kyoto de responsabilidades compartilhadas, mas diferenciadas, pelo qual os países desenvolvidos têm que apresentar metas quantitativas e mandatórias para corte de suas emissões. “As medidas internas dos países em desenvolvimento são obrigatórias domesticamente, mas não podem ser cobradas pela comunidade internacional. Nós temos potencial para contribuir mais na questão do aquecimento global, mas sem quebrar o espírito do protocolo de Kyoto”, afirmou Biato. O diplomata considerou insuficiente a proposta dos Estados Unidos de reduzirem suas emissões em 17% até 2020 sobre o patamar de 2005, o que equivale a um corte de apenas 4,8% em relação a 1990 – bem abaixo dos 40% pretendidos pelos emergentes.
Leandro Waldvogel, da divisão de meio ambiente do Ministério das Relações Exteriores, disse que a coordenação entre os países em desenvolvimento continuará no próximo fim de semana em Copenhague, com uma reunião de dois dias do G-77 mais China. Além disso, o grupo terá duas plenárias diárias no período de duração da conferência, que ocorrerá de 7 a 18 de dezembro. O objetivo de Copenhague é definir metas de redução nas emissões de gases efeito estufa dos países desenvolvidos para tentar evitar que a temperatura do planeta tenha elevação superior a 2ºC.
Políticas de “Um País, Dois Sistemas”, “Administração de Macau pela Gente de Macau” e alto grau de autonomia são bem-sucedidas em Macau
19-11 – Radio China Internacional
O porta-voz da chancelaria chinesa, Qin Gang, afirmou hoje (19) em Beijing que as políticas do governo central de “Um País, Dois Sistemas”, “Administração de Macau pela Gente de Macau” e alto grau de autonomia foram aplicadas plenamente na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).
Na coletiva à impresa, Qin disse que nos últimos 10 anos, tempo do retorno de Macau à pátria, o governo central da China persistiu na Lei Básica de Macau. Com o apoio da administração do governo da RAEM, do governo de Macau e de outros setores, a região registrou grandes êxitos socioeconômicos.
Qin afirmou que Macau vem se dedicando a construir na região uma plataforma de serviços comerciais regionais e um centro de turismo e lazer mundial. Nós acreditamos que, com a garantia de “Um país, Dois Sistema”, os esforços do povo de Macau e o apoio pleno da comunidade internacional, o futuro de Macau será ainda mais brilhante, disse Qin.
Quanto às relações de Macau com os países de língua portuguesa, Qin afirmou que a região desempenha um papel construtivo e especial na promoção da cooperação comercial entre a parte continental chinesa e os países lusófonos. Nós vamos apoiar continuamente as cooperações e intercâmbios com o exterior realizadas por Macau segundo a Lei Básica, finalizou Qin Gang.
Barack Obama na China
Em sua primeira visita a China, o presidente americano Bacak Obama terá um grande desafio sobre questões como a de sua visita ao líder tibetano Dalai Lama, questões comerciais, câmbio e o esforço de forjar um novo pacto-climático.
O governo chinês pediu ao público chinês, através de sites controlados pelo governo, que dêem sugestões de perguntas ao presidente americano e o resultado dessas sugestões foi que o presidente americano explique seus planos de se encontrar com Dalai Lama, um vez que Beijing o considera como um líder “separatista”.
Outra questão a ser tratada por Obama e o Presidente Hu Jintao será sobre as taxas de câmbio, onde ambos apresentaram discordância sobre o tema na cúpula da APEC. Segundo membros da delegação americana, Beijing e Washington não conseguiram chegar a um acordo quando a referência “taxas de câmbio orientadas ao mercado” foi retirada do comunicado ao final da reunião.
Obama declarou que “em questões cruciais” como a recuperação econômica ou proliferação nuclear e alterações climáticas, “é difícil ver como é que os Estados Unidos ou a China poderão ter sucesso sem trabalharem em conjunto”.
Hu Jintao se encontrará com Obama nesta terça-feira, dia 17 de novembro em Beijing para discutirem esses temas. Para o diretor do programa de estudos sobre Política Chinesa da Universidade George Washington, David Shambaugh, a visita de Obama a China ocorre “no melhor momento das relações China-Estados Unidos ao longo dos últimos vinte anos”.
Para Drew Thompson, especialista em China no Nixon Center de Washington e para o premiê chinês Wen Jiabao o encontro entre os dois líderes não deve gerar nenhuma mudança na política acerca dos problemas diplomáticos e econômicos sobre os dois países.
BRIC EM DISPUTA PELA ÁFRICA
Por Fabricio Bomjardim
Análize de Conjuntura publicada no site do CEIRI, em 9 de novembro.
O continente africano é um continente marcado por guerras civis, conflitos étnicos, problemas sociais e foi palco de disputa por territórios entre as grandes potências no século XIX e primeira metade do século XX.
Após a II Guerra Mundial (1939-1945) e o processo de descolonização do continente na segunda metade do século XX, a África passou continuamente para a periferia do sistema internacional e, embora tenha recebido investimentos nas áreas sócio-econômicas, os problemas internos não foram resolvidos, estagnando o desenvolvimento da região.
Dessa forma, o continente depende de investimento estrangeiro para o seu desenvolvimento e, no início do século XXI, começou uma nova disputa, mas, desta vez, não por territórios ou influencias ideológicas, mas pela busca de parceiros diplomáticos, com intuito de estabelecer parcerias comerciais e abertura de mercados no futuro.
Nesta disputa, o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) vem aumentando sua atuação no continente, por meio de cooperação econômica, intercâmbio intelectual e no estreitamento de relações sócio-culturais.
O Brasil, ao longo dos últimos anos tem se portado como ator de relevo e um dos maiores concorrentes da China no continente africano, pois vem buscando intensificar suas relações com a África. A título de ilustração, o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, já acumulava seis viagens cobrindo 16 países africanos, até sua primeira visita à União Européia, em 2007, logo depois de sua reeleição. Lula também foi convidado de honra em uma reunião da “União Africana”, na Líbia.
Estas passagens do presidente brasileiro pelo continente são um lembrete para Pequim. Entre os dias 8 e 9 de novembro de 2009 está sendo realizado o “2º Fórum de Cooperação China-África” (FOCAC, sigla em inglês), pois o governo chinês tem ciência de que não são os únicos cortejando os africanos, suas matérias-primas e seus mercados futuros.
Em termos de relações comerciais, as relações entre Brasil e África obtiveram resultados positivos e crescentes no decorrer dos anos. No ano 2000, o comércio anual foi de US$ 3,1 bilhões de dólares. Já no ano passado, o comércio apresentou US$ 26,3 bilhões. É um aumento significativo, mesmo que os chineses ainda tenham grande vantagem, pois seu comércio bilateral com a África alcançou a cifra de 107 bilhões de dólares.
A Índia é outro membro do BRIC que vem obtendo resultados de crescimento com o continente africano, anunciando um aumento de US$ 4,9 bilhões para 32 bilhões de dólares, com trajetória similar à brasileira.
A Índia lidera o ranking de projetos, em termos de Investimento Estrangeiro Direto (IED). Nos últimos seis anos, o país realizou 130 projetos, comparados com os 86 da China e os 25 do Brasil, segundo dados da South Africa’s Bank.
A Rússia se declarou de volta à África e preparada para desempenhar um papel mais ativo na região. Após uma declaração desse teor, dada em janeiro de 2009 por Mikhail Margelov, enviado russo ao Sudão, houve visitas do presidente Dmitri Medvedev ao Egito, Nigéria, Namíbia e Angola. O objetivo foi para tratar de acordos nas áreas de energia, mineração, telecomunicações e construção.
Dentre os países que compõem o BRIC, a China é a grande líder e já é o maior parceiro comercial da África no mundo, tendo superado, inclusive, os Estados Unidos. Como afirmado, em 2008, foram apresentados 107 bilhões de dólares nas relações comerciais, com 86 projetos em IEDs, mas o gigante asiático tem intenção de aumentar gradativamente esses números, com o intuito de se tornar maior o parceiro em todos os setores com o continente africano. Acredita que, assim, com o desenvolvimento dos países africanos, tendo responsabilidade direta nisso, obterá preferências nas relações comerciais.
O presidente chinês, Wen Jiabao, no primeiro dia da realização do “4º Fórum de Cooperação China-África”, no dia 8 de novembro, prometeu que irá liberar US$ 10 milhões em concessões de empréstimos para ajudar as nações africanas nos próximos três anos. Afirmou, ainda, que as dívidas dos países mais pobres no continente serão perdoadas. Em suas palavras, “Nós ajudaremos a África a melhorar sua capacidade de financiamento. Daremos US$ 10 milhões em concessões de empréstimos às nações africanas“.
Além do cancelamento das dívidas e do valor para concessão, os chineses irão construir 100 novos projetos de energia limpa para a África, objetivando contribuir para o continente enfrentar as questões climáticas.
Essas promessas do presidente chinês foram respostas às críticas realizadas contra o seu país, quando foi alegado que o crescimento dos interesses da China na África, em busca de matérias-primas, tem ignorado o agravamento dos problemas relacionados ao desenvolvimento e aos direitos humanos em muitos países africanos.
Jiabao disse que as relações entre seu país e o continente já ocorre há cinco décadas e inclui a ajuda aos países que se livraram do colonialismo, mas parte do mundo só agora começou a notar o papel da China na África. “O povo chinês oferece amizade verdadeira ao povo africano e o apoio da China ao desenvolvimento da África é concreto e real“, afirmou.
Esse aumento das relações dos membros do BRIC com o continente tem contribuído para alterar a configuração das relações comerciais. “Isso não é algo novo – só foi acelerado pela crise econômica. (que agora) É voltado para o comércio entre países emergentes ao invés do tradicional comércio entre norte e sul”, e “O equilíbrio de poder comercial mudou completamente”, disse Martyn Davies, da Frontier Advisory, consultoria de investidores em mercados emergentes africanos, com base na África do Sul.
O aumento de fontes competitivas de comércio no continente africano despertou o desejo do africanos se libertarem da dependência exagerada de laços comerciais com um ou dois parceiros ocidentais, em particular com os Estados Unidos.
“Essas incursões e os acordos comerciais que as seguem estão, pela primeira vez, em 50 anos, forçando os países do Ocidente a tentar retomar o continente ao qual eles sempre tiveram acesso comercial ilimitado” e “O potencial agrário da África se tornará um propulsor cada vez maior do comprometimento comercial dos BRICs com o continente”, disse, em nota, o Standard Bank.
O fator que tem enriquecido as relações do continente africano com o Brasil são as relações sócio-culturais. Nesse sentido, os brasileiros têm aproveitado as ligações culturais e lingüísticas para facilitar a promoção de seus negócios, principalmente com Angola e Moçambique.
Pelo fato de não existirem países no continente africano que compartilhem do idioma indiano, a Índia tende a dar preferência nas relações com a África do Sul, país que abriga mais pessoas de origem indiana no mundo.
Outro país que não tem semelhanças culturais ou lingüísticas com a África é a China, porém suas políticas para tratar das relações com os africanos são muito bem exploradas e vem crescendo, nisso tem pesado o aspecto financeiro.
Por exemplo, foi concedido o empréstimo de 1 bilhão de dólares a Angola, voltado para o setor agrário do país, que havia sido devastado pela guerra civil, que durou 27 anos e terminou em 2002.
Ao reboque de ações como essa, os chineses investem no intercambio cultural, levando futuros empreenderes chineses e africanos a aprenderem seus respectivos idiomas, suas culturas e, dessa forma, estreitam mais os laços de amizade.
O governo chinês ainda conta com a Zona de Administração Especial de Macau, que é a porta de entrada de países de língua portuguesa na China e mantêm fortes relações comerciais com Moçambique e Angola.
Como o continente africano está buscando novos parceiros, os membros do BRIC estão aumentando suas relações com o continente, aproveitando as oportunidades de novos negócios, e investindo em planejamentos de curto e longo prazo, os quais já estão apresentando resultados positivos.